Arquivo do Autor: brunozr
[Jul-Ago/2024] Onda de frio no Cone Sul, temperaturas altas na Antártica, rajadas em Santiago/Chile
[16-23/06/2024] Chuva intensa no RS e SC, tempo severo, e temperaturas baixas na Patagônia
[10-15/06/2024] Rio atmosférico no Chile, Zonda em Mendoza, calor no Brasil, chuvas no NEB
Uma análise dos recordes de maio/2024
[27-29/05/2024] Discussão sinótica sobre a formação de ciclones no Sul do Brasil
[10-13/05/2024] Análise da chuva intensa e tornados no RS
[28/04-02/05/2024] Uma análise da chuva histórica no RS
[10-13/03/2024] Tempo severo na Argentina, Uruguai e RS
Tempestades severas devem ocorrer em partes da Argentina, Uruguai e RS nos próximos dias. Abaixo uma sequência de figuras com CAPE da parcela mais instável e cisalhamento entre 0 e 6 km às 1800 UTC dos dias 10-12/03. Os altos valores de CAPE (>3000 J/kg) associados a cisalhamento 0-6-km > 30 kt em uma ampla área é similar ao que ocorre no auge da primavera. Esses ambientes devem suportar supercélulas com potencial de granizo muito grande na Argentina, e eventualmente sistemas convectivos de mesoescala que devem se propagar para áreas mais a leste como Uruguai e RS.
As condições favoráveis a tempo severo por vários dias seguidos parecem estar associadas a uma mudança no padrão de circulação em grande escala. Uma sequência de cavados em médios níveis deve avançar desde o Pacifico sul até as imediações dos Andes a partir de hoje, favorecendo escoamento de norte em boa parte da Bacia do Prata.
A sequência de imagens abaixo mostra os campos em 500 hPa às 0000 UTC dos dias 10-13/03. Alguns aspectos dessa sequência de mapas:
1) Amplo escoamento de sudoeste em latitudes médias em torno de 100W favorece o movimento para nordeste de vários cavados desde 50-60S até 30-40S próximo dos Andes, onde esses cavados influenciam as condições na Bacia do Prata.
2) Uma crista se intensifica sobre o centro do Brasil, o que deve favorecer mais intenso gradiente de geopotencial, jato de altos níveis e consequentemente cisalhamento profundo sobre a Bacia do Prata.
Alguns fatores associados à mudança de regime em médios níveis podem estar corrente acima no Pacifico Sul. As anomalias de geopotencial em 500 hPa no dia 09 0000 UTC indicam um bloqueio de Rex em torno de 135W. A crista associada a esse bloqueio estabelece escoamento de sudoeste em torno de 100W em latitudes médias, o que permite que os cavados em médios níveis avancem para nordeste em direção aos Andes, favorecendo tempo severo na Bacia do Prata.
E voltando no tempo um pouco mais, nota-se uma área com anomalias positivas de água precipitável que se estende de noroeste para sudeste a leste da linha de mudança de data (180 graus). Esse fluxo de água precipitável em direção a latitudes médias parece ser responsável pela formação da crista que faz parte do bloqueio de Rex alguns dias depois.
[14/01/2024] Chuva intensa no RJ
Chuva intensa ocorreu na região metropolitana do RJ nesta madrugada. O mapa do Cemaden abaixo mostra mais de 200 mm em 24h em alguns pontos de Nova Iguaçu, e mais de 100 mm no Rio e Niterói.

Uma das estações em Nova Iguaçu indicou mais de 40 mm/h por 3 h consecutivas. O pico da precipitação ocorreu em torno de 0200 UTC.

O radar do Pico do Couto às 0200 UTC indicava uma estreita faixa com refletividade acima de 40 dBZ e orientação sudeste-noroeste. Esta banda de precipitação intensa se concentrou sobre a região metropolitana do RJ por mais de 3 horas. A animação também indica rotação em mesoescala nessa região: os núcleos convectivos ao longo da banda de refletividade mais intensa se moviam para noroeste enquanto que a precipitação mais fraca a nordeste se movia para sudeste, conforme indicado na figura.

O GFS indicava alguns máximos de vorticidade em 500 hPa sobre o Estado do RJ na analise do dia 14 às 0000 UTC. Contudo, a localizacao desses vortices em 500 hPa (e em 700 hPa) nao parece correta quando comparada ao movimento da precipitacao no radar. Esse tipo de vortice de mesoescala que ocorre devido a conveccao intensa no verao é geralmente mal previsto por modelos globais.

Havia intensa água precipitável sobre o litoral do RJ no momento da chuva intensa. A análise do GFS indica mais de 64 mm, o que é bastante alto mesmo para o RJ no verão. Notem também o vento de sul em 700 hPa, que também estava presente em 850 hPa (mais abaixo). O vento sul se deve ao avanço de ar mais frio e seco pela costa do Sul e Sudeste após a passagem da frente oceânica. Esse vento de sul favorece o levantamento orográfico. Portanto, havia uma condição favorável à chuva intensa bastante conhecida na região. A rotação em mesoescala possivelmente ajudou a realçar a precipitação intensa através da formação da banda de precipitação.


A sondagem do aeroporto do Galeão às 0000 UTC do dia 14 indicava impressionantes 69 mm de água precipitável.

A performance dos modelos foi bastante ruim. O GFS indicava chuva mais intensa mais a norte, sobre o norte do RJ e sul de MG, onde o modelo indicava alguns vórtices de mesoescala.

O modelo canadense indicava chuva intensa na região serrana do RJ.

